Peça de museu, objetos ou espécimes que fazem parte do acervo de um museu.
Quem sou eu
- Museália
- Informações do mundo museal... Atuação objetos museológicos como fonte histórica, patrimônio cultural
quarta-feira, 22 de maio de 2019
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
sexta-feira, 4 de março de 2016
INQUIETAÇÕES... O CAMPO DE ATUAÇÃO DA MUSEOLOGIA
Algumas questões:
§Quem nasceu primeiro a Museologia ou o museu?
§ O que é
Museologia?
§ O que é museu?
§ Qual a relação
da Museologia com o museu?
§ Qual é o objeto
de estudo da Museologia?
§ Existe uma
metodologia museológica?
§ Existe uma
Museologia que independe da instituição museu?
§ Qual é o papel
social do museu e da Museologia?
§ A neutralidade cientifica e política da
Museologia não será uma balela?
(CHAGAS, Mário. 1994)
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Coleção Estudos Museológicos
Publicação da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) com o objetivo de fortalecer a atuação dos profissionais de museus e valorizar o acervo presente nessas instituições.
O primeiro volume apresenta orientações e procedimentos básicos para a conservação preventiva e a gestão de riscos para os acervos museológicos. Formatada pelas conservadoras/restauradoras de bens culturais Lia Canola Teixeira e Vanilde Rohling Ghizoni (integrantes da Associação Catarinense de Conservação e Restauração de Bens Culturais – ACCR), a publicação será distribuída gratuitamente para todas as instituições museológicas, prefeituras municipais, bibliotecas e instituições de ensino.
Segue os três volumes para baixar:
Clique aqui para acessar o 1 volume – Conservação Preventiva
Clique aqui para acessar o 2 volume – Documentação Museológica e Gestão de Acervos
Clique aqui para acessar o 3 volume – Gestão e Planejamento de Museus
domingo, 16 de novembro de 2014
Inauguração do PAINEL AFROBRASILEIRO - Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre
O Grupo de Trabalho Angola Janga, o Ministério da Cultura e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial convidam para a inauguração do Painel Afrobrasileiro, obra de arte pública que integra a etapa IV do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre. O evento ocorre dia 20 de novembro de 2014, às 16:30, no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico.
PAINEL AFROBRASILEIRO
Local: Largo Glênio Peres
Concepção: Pelópidas ThebanoExecução: Vinicius VieiraTécnica: Mosaico cerâmico
Dimensões: 95 x 600 cm
Concepção: Pelópidas ThebanoExecução: Vinicius VieiraTécnica: Mosaico cerâmico
Dimensões: 95 x 600 cm
Saiba mais sobre o Museu: http:// museudepercursodonegroemportoa legre.blogspot.com.br/
Confirme presença no evento: https://www.facebook.com/ events/314726488730103/?ref_ notif_type=event_mall_comment& source=1
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Relações entre internet e museus
Artigo: CARVALHO, Rosane Maria Rocha de. Comunicação e informação de museus na
internet e o visitante virtual. Revista Eletrônica do Programa de
Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio. Vol.l, nº1 – jul/dez de 2008. p. 83
-93.
Relações
entre internet e museus.
Este artigo desenvolve três grupos de questões
relacionadas a museus na internet: os conceitos e definições, as pesquisas e o
quanto as tecnologias da informação influenciam o visitante.
Este artigo é parte da tese de doutorado em Ciência da
Informação da autora: “As transformações da relação museu e público: a
influência das tecnologias da informação e comunicação no desenvolvimento de um
público virtual”, defendido em 2005, no Curso de Doutorado em Ciência da
Informação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Para desenvolvimento desta pesquisa, a parte empírica foi
dividida em duas etapas: a primeira
analisou as mensagens enviadas por e-mail pelos usuários do Museu Histórico
Nacional (MHN). A segunda parte
compreendeu uma pesquisa de público virtual, a qual foi enviado um questionário
para averiguar se o público da rede é o mesmo que visita o MHN e qual a visão
deste público virtual.
Conceitos de
museus na internet: (SCHWEIBENZ, Werner, 2004)
O museu
folheto: este é um site que contém a
informação básica sobre o museu, como os tipos de coleção, detalhes de
contatos, etc.
O museu
conteúdo: este é um site que
apresenta os museus, que possuem serviços de informação, e convida o visitante
virtual a explorá-los online.
O museu do
aprendizado: este é um site que
oferece diversos pontos de acesso
para seus visitantes virtuais, de acordo com suas idades, antecedentes e
conhecimento. A informação é apresentada de maneira orientada contexto em vez
de ao objeto. O site é desenvolvido didaticamente e relacionado através de
links a informações adicionais que motivam o visitante virtual a aprender mais
acerca de um assunto de seu interesse e a revisitar o site.
O museu
virtual: o museu virtual não tem
acervo físico. Neste sentido, coleções digitais são criadas sem contrapartida
no mundo físico.
PONTOS
FORTES
- Analisar os vários tipos de ações que o museu possa
desenvolver na Internet (p.83);
- O museu virtual não é competidor ou perigo para o
museu de ‘pedra e cal’ porque, pela sua natureza digital, não pode oferecer
objetos reais aos visitantes, como o museu tradicional faz. (p. 84)
- Ao mesmo tempo o museu virtual vai atingir os
visitantes virtuais que podem nunca ter tido a possibilidade de visitar um
certo museu pessoalmente. (p. 84)
- A existência simultâneas de museus físicos e
eletrônicos constitui uma marca deste século no âmbito cultural contemporâneo.
(p. 84)
PONTOS
FRACOS
- Para alguns museus, especialmente para museus de
arte que apreciam o ideal da “coisa real” e sua aura, pode não ser uma idéia
agradável tornar-se virtual. (p.85)
- O site do MHN caracteriza-se como museu folheto,
pois apresenta informação básica sobre o museu, contudo, poderia se transformar
em museu de conteúdo. (p.91)
DESAFIOS
- Os recursos eletrônicos poderiam propiciar maior
disseminação e transferência da Informação?
- Como o mundo digital estimula ou altera o trabalho
do museu “presencial”? Quais são suas forças e fraquezas? O museu virtual
aponta a morte do museu como nos conhecemos? (p.84)
- O potencial de que aumente o público virtual é muito
maior do que o presencial, na medida em que mais pessoas vão se habilitando a
acessar a internet.
- Na medida em que usuários das classes econômicas
menos favorecidas tenham acesso à internet, estes sites terão sua importância ampliada. O acesso à cultura é uma
forma de inclusão social e de exercer a cidadania. (p.90).
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Cultura do Acesso
Anajara nos
apresentou o documentário que realizou durante o mestrado sobre a dificuldade
que pessoas com algum tipo de deficiência enfrentam ao chegar na Casa de
Cultura Mario Quintana localizada no Centro Histórico de Porto Alegre. As
dificuldades são diversas no sentido do próprio acesso, na localização dos
serviços da Casa, no sentido de informação por parte do corpo funcional e
também pela própria maneira de tratamento dos funcionários que não apresentam
nenhum tipo de capacitação para tratar com este tipo de público.
A partir deste contexto a professora propôs que como futuros museólogos fizéssemos uma reflexão, sobre, quais os desafios para os futuros profissionais de museus pensar a acessibilidade dos espaços culturais no Mundo Contemporâneo?
Acredito que como futuros museólogos atuando junto a gestores
de instituições museológicas, temos que propormos ações destinadas a todo tipo
de público e usuários. A questão de acessibilidade cultural parte de um projeto
maior, de um conjunto de uma consciência da forma dos usos de todos os grupos
que utilizam estes espaços. Como foi falado em aula acessibilidade não é
somente uma rampa, mas pensar em todo processo de como a exposição, o acervo
podem ser preparados pra serem usados por todos.
Apresento dois exemplos de trabalhos relacionados sobre a
exposição e o acervo para deficientes visuais como propostas para seguirmos
pensando como trabalhar as questões culturais, o importante é que o tema
acessibilidade e cultura do acesso estejam sempre presentes em nosso trabalho.
O primeiro é o trabalho de conclusão de curso de Geanine Vargas Escobar, do curso de Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis pela Universidade Federal de Pelotas/RS, intitulado: O conservador em conflito: A iluminação em Museus com proposta para inclusão de deficientes visuais, este trabalho foi defendido em 2011 e teve como professora orientadora Dr. Francisca Michelon.
O
segundo exemplo é sobre um projeto coordenado pela Professora Francisca
Michelon da Universidade Federal de Pelotas. O nome da proposta é: Fotografia para Ouvir. “É uma proposta na qual a descrição técnica da fotografia é transformada em uma narração da cena registrada adequada para ser ouvida. Assim, o ouvinte é capaz de, através da descrição, imaginar a fotografia e inteirar-se de algum dos muitos sentidos que ela possa ter, confrontando a sua visão com aquela apresentada na locução”. Para conhecer melhor o projeto acesse: http://www.ufpel.edu.br/ich/arquivofotografico/?p=752
Estes dois exemplos de trabalhos apresentados
sobre o tema de acessibilidade é uma forma de estimular e começarmos a pensar
nos nossos desafios futuramente para nossas práticas museológicas.
Aplicar o que está na Lei e pedir auxílio para
instituições especialistas neste assunto, quando não sabemos por onde começar
são pontos essenciais.
Como experiência própria posso relatar que em 2011, quando trabalhava no
Museu de História da Medicina do RS, o corpo funcional realizou um treinamento
interno, Acessibilidade para Pessoas com
Deficiência, ministrado por Viviane Panelli Sarraf à qual é
diretora-fundadora da empresa Museus Acessíveis e consultora de acessibilidade
cultural da Fundação Dorina Nowill para cegos, localizada em São Paulo. Acredito que preparar os funcionários destas instituições culturais para receber este público seria o primeiro desafio e o segundo pensar em projetos para serem aplicados nas instituições culturais, conforme a necessidade de todos.
Documentário Harmonia
![]() |
| Parque Harmonia |
Na aula Museologia no Mundo Contemporâneo do dia 31 de outubro, a professora Zita Possamai, nos apresentou o documentário de Jaime Lerner, intitulado, Harmonia, este vídeo traz um embate sobre dois grupos de Porto Alegre, os carnavalescos e os tradicionalistas, a discussão do roteiro acontece em torno da construção de uma pista de eventos que estava em votação pela Prefeitura de Porto Alegre em 1993, durante o mandato de Tarso Genro.
Harmonia é o nome de um parque localizado em uma área central de Porto Alegre. Atualmente, durante a semana do dia 20 de setembro, todo ano ocorre o Acampamento Farroupilha em comemoração a Revolução Farroupilha (1835-1845), neste local este evento demarca um local de gaúchos tradicionalistas. Primeiramente o Parque foi chamado de Porto dos Casais, com o tempo recebeu o nome de Parque da Harmonia, através da lei nº 5066, de 1981, em 25 de março de 1987, pela lei municipal nº 5885, mudou o nome para Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.
A disputa por este território é o
ponto principal deste documentário, através dos depoimentos de historiadores
como Tau Golin, Moacyr Flores, Mario Maestri, alguns tradicionalistas como Nico
Fagundes, Bagre Fagundes, Paixão Côrtes, Barbosa Lessa; alguns carnavalescos de
escolas de samba de Porto Alegre e outros, a discussão acaba sendo
desenvolvida.
Este documentário aborda várias
questões, que estivemos discutindo nesta disciplina, sobre identidades, tolerar
e aceitar as diferenças, a questão de se colocar no lugar do outro, o
patrimônio como força política.
Esta disputa realizada por estes dois
grupos citados nos mostra os conflitos de uma demarcação de um local simbólico
e também político. Conforme Néstor García Canclini “espaço de luta material e simbólica
entre as classes, as etnias e os grupos”. Cada grupo apresenta seus argumentos
sobre a questão da construção do sambódromo no Parque, os tradicionalistas
falam que não teriam nada contra o carnaval e tudo contra a construção do
sambódromo.
O documentário mostra o quanto à
história explica as diferenças e o conflito entre estes dois grupos, tanto
sobre a construção do mito do gaúcho, na fala de Paixão Cortês e na fala dos
historiadores sobre a Batalha de Porongos afirmando a figura de David Canabarro
como um traidor dos lanceiros negros.
Em um espaço que seria público, estes
grupos não estão apenas defendendo seus espaços de agremiação, mas, também
estão defendendo suas identidades conforme as raízes de suas
culturas. E neste
jogo de lutas simbólicas e políticas, podemos perceber que sempre ganha o lado
com poder maior. A justiça acabou
suspendendo a votação deste projeto, o qual teve ambientalistas, políticos e o
maior número de tradicionalistas contra a construção do sambódromo.
![]() |
| Laçador |
Atualmente, se fizermos uma relação
sobre a questão do impacto ambiental relatado no filme, podemos questionar
sobre o impacto causado, anualmente, neste parque durante o mês de setembro,
durante o Acampamento Farroupilha. Existe também um restaurante neste parque, esta
construção ninguém questionou.
A construção deste sambódromo vai
além da discussão do impacto ambiental de um concreto construído neste parque e
sim, o que realmente está em discussão é a defesa de um espaço por um grupo que
não permitiria a mistura de grupos com formas diferentes de atuar, o qual constituiu
em uma segregação. Hoje sabemos como terminou este episódio o carnaval visto
como uma festa popular foi enviada para a parte periférica da cidade de Porto
Alegre, onde encontra-se atualmente no Complexo Cultural do Porto Seco, na zona
norte da cidade, longe dos olhos dos tradicionalistas.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
A identidade cultural na pós-modernidade
Em outubro na aula de Museologia no Mundo
Contemporâneo, foi realizado um Seminário sobre a obra do autor Stuart Hall, A
identidade cultural na pós-modernidade.
Nesta obra o autor
apresenta várias questões sobre as identidades e suas fragmentações na
pós-modernidade, seus deslocamentos e a pergunta principal de sua obra, existe
"uma crise de identidade"?
Segue abaixo as ideias
principais retiradas da obra do autor Stuart Hall.
![]() |
| Stuart Hall - Teórico Cultural Jamaicano |
1.
A identidade em questão
Novas identidades e fragmentando o
indivíduo moderno, até aqui visto como sujeito unificado.
Velhas identidades - Sujeito Unificado
Fragmentadas- Identidades na Modernidade Tardia (Final séc. XX. Pós-modernidade)
Velhas identidades - Sujeito Unificado
Fragmentadas- Identidades na Modernidade Tardia (Final séc. XX. Pós-modernidade)
a) Iluminismo
b) Sociológico
c) Pós- moderno
Sujeito descentrado
“Crise de identidade”, dentro de um
processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos
centrais – ancoragem estável o mundo social.
Propósito da obra: A pergunta é existe
“uma crise de identidade”.
- Que pretendemos dizer com “crise de
identidade”?
- Que acontecimentos recentes nas
sociedades modernas precipitaram essa crise?
- Que formas ela toma?
- Quais são suas consequências
potenciais?
Alguns teóricos acreditam que as
identidades modernas estão entrando em colapso. Um tipo diferente de mudança
estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX.
(p.9)
2. Nascimento e morte do
sujeito moderno.
Sujeito unificado
l
Sujeito unificado
l
Nascimento
- Reforma Protestante
- R. Descartes (1596-1650) “penso,
logo existo”
- J. Locke – capitalismo –
individualismo
- Darrwin
- Sociologia
Esta fragmentação com as
identidades modernas, não foram simplesmente uma desagregação, mas um
deslocamento. (p.34)
Isto se deve a uma série
de rupturas nos discursos do conhecimento moderno. (p.34)
Cinco
grandes avanços na
teoria social e nas ciências humanas ocorridos no pensamento, no período da
modernidade tardia (a segunda metade do século XX), maior efeito o
descentramento final do sujeito cartesiano.
1ª – a primeira
descentração refere-se às tradições do pensamento marxista: as relações sociais e não uma noção abstrata de homem no
centro de seu sistema teórico.
2ª – Freud – a
descoberta do inconsciente.
3ª – Ferdinand de Saussure
– a língua é um sistema social e não um sistema individual.
4ª – Historiador francês
Michel Foucault – o poder disciplinar
5ª – Feminismo – política
de identidade.
O autor mapeou as mudanças
conceituais através das quais, de acordo com alguns teóricos, o “sujeito” do
Iluminismo, visto como tendo uma identidade fixa e estável, foi descentrado.
3. As culturas nacionais
como comunidades imaginadas
(p.47)
O autor centrou na questão de como este “sujeito
fragmentado” é colocado em termos de suas identidades culturais.
Identidade
cultural – identidade nacional
- O que está acontecendo à identidade cultural na
modernidade tardia?
-
Como as identidade culturais nacionais estão sendo afetadas ou deslocadas pelo
processo de globalização?
Onde nascemos - se constituem em uma
das principais fontes de identidade cultural. Segundo o Hall, isto acontece de
forma metafórica, aos nos definirmos como ingleses ou galeses ou indianos os
jamaicanos. Porque estas identidades não estão literalmente impressas em nossos
genes. Mas, pensamos nelas como se fossem parte de nossa natureza essencial.
(p. 48) O filósofo conservador Roger
Scruton: para agirmos como um ser autônomo, primeiro nos identificamos como um
membro de uma sociedade, grupo, classe, estado ou nação, que pode até não ter
um nome, mas que a pessoa reconheça como seu lar.
Ernest Gellner: acredita que sem um
sentimento de identificação nacional o sujeito moderno experimentaria um
profundo sentimento de perda. (p.48)
Segundo Stuart Hall, as identidades
nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas e
transformadas no interior da representação.
(p. 48-49) “Nós só sabemos o que
significa ser “inglês” devido ao modo como a “inglesidade” veio a ser representada
– como um conjunto de significados pela cultura nacional inglesa. Segue-se que
a nação não é apenas uma entidade
política mas algo que produz sentidos um sistema de representação cultural.”
(p.49) Uma nação é uma comunidade
simbólica e é isso que explica seu “poder para gerar um sentimento de
identidade e lealdade” (Schwarz, 1986. P.106)
Uma cultura nacional contribuiu para
criar padrões de alfabetização universais, generalizou uma única língua
vernacular como meio dominante de comunicação em toda a nação, criou uma
cultura homogênea e manteve instituições culturais nacionais, como por exemplo,
um sistema educacional nacional.
Narrando
a nação: uma comunidade imaginada
(p.50)
“As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas
também de símbolos e representações. Uma
cultura nacional é um discurso – um modo de construir sentidos que
influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós
mesmos.
(p.51)
Como argumentou Benedict Anderson (1983), a identidade nacional é uma
“comunidade imaginada”.
(p.51)
– Mas como é imaginada a nação moderna?
-
Que estratégias representacionais são acionadas para construir nosso senso
comum sobre o pertencimento ou sobre a identidade nacional?
-
Quase são as representações, digamos, de “Inglaterra”, que dominam as
identificações e definem as identidades do povo “inglês”?
-
Como é contada a narrativa da cultura nacional?
5 elementos principais
para responder.
1ª
– há a narrativa da nação – literaturas nacionais, na mídia e na cultura
popular.
2ª
- origens na continuidade, na tradição e na intemporalidade.
3ª
– Hobsbawm e Ranger chamam de invenções da tradição: “Tradições que parecem ou
alegam ser antigas são muitas vezes de origem bastante recente e algumas vezes
inventadas.
4ª
– exemplo de narrativa da cultura nacional é a do mito fundacional: uma estória que localiza a origem da nação, do
povo e de seu caráter nacional num passado tão distante que eles perdem nas
brumas do tempo.
5ª
– A identidade nacional muitas vezes simbolicamente baseada na ideia de um povo ou folk puro, original.
Retornar
ao passado ocultar uma luta para mobilizar as “pessoas” para que purifiquem
suas fileiras.
Desconstruindo
a “cultura nacional”: identidade e diferença. (discutirei se as identidades nacionais
são realmente tão unificadas e tão
homogêneas como representam ser)
(p.58) Ernest Renan disse três coisas
constituem o princípio espiritual da unidade de uma nação: “[...] a posse em
comum de um rico legado de memórias [...], o desejo de viver em conjunto e a
vontade de perpetuar, de uma forma indivisiva, a herança que se recebeu”
(Renan, 1990, p. 19)
Cultura nacional – “comunidade
imaginada”: as memórias de passado; o desejo por viver em conjunto; a
perpetuação da herança.
(p.59). [...] não importa quão
diferentes seus membros possam ser em termos de classe, gênero ou raça, uma
cultura nacional busca unificá-los numa identidade cultural, para
representá-los todos como pertencendo à mesma e grande família nacional.
Mas seria a identidade nacional uma
identidade unificadora desse tipo, uma identidade que anula e subordina a
diferença cultural?
Esta ideia está sujeita à dúvida, por
várias razões. Uma cultura nacional nunca foi um simples ponto de lealdade,
união e identificação simbólica.
Ela é também uma estrutura de poder
cultural.
1º unificação por meio de conquista violenta. “O povo britânico”
é constituído por uma série desse tipo de conquistas- célticas, romanas,
saxônica, viking e normanda.
2º as nações são sempre compostas de
diferentes classes sociais e diferentes grupos étnicos e de gênero.
3° exercendo uma hegemonia cultural
sobe as culturas dos colonizados.
(p.61) Em vez de pensar as culturas
nacionais como unificadas, deveríamos pensá-las como constituindo um dispositivo discursivo que representa a
diferença como unidade ou identidade.
De forma fantasiosa as identidades
nacionais continuam a ser representadas como unificadas.
(p.62) Uma forma de unificá-las tem
sido a de representá-las como a expressão da cultura subjacente de “um único
povo”.
(p.62) A etnia é o termo que utilizamos para nos referirmos às
características culturais – língua, religião, costume, tradições, sentimento de
“lugar” – que são partilhadas por um povo. A Europa Ocidental não tem qualquer
nação que seja composta de apenas um
único povo, uma única cultura ou etnia. As nações modernas são, todas, híbridos culturais.
Raça – é ainda mais difícil unificar a
identidade nacional em torno da raça.
(p.63) A raça é uma categoria discursiva e não uma categoria
biológica. [...] como marcas simbólicas,
a fim de diferenciar socialmente um grupo de outro.
(p.64) Nações de sangue.
Este breve exame solapa a ideia da
nação como uma identidade cultural unificada.
Temos que termos em mente a forma pela
qual as culturas nacionais contribuem para “costurar” as diferenças numa única
identidade.
4. Globalização
(p.67) O que, então, está tão
poderosamente deslocando as identidades culturais nacionais, agora, no fim do
século XX? A “globalização”. (são
processos atuantes numa escala global que atravessam fronteiras nacionais, integrando
e conectando comunidades e organizações em novas combinações de espaço-tempo, tornando o mundo, em
realidade e em experiência, mais interconectado.
As consequências desses aspectos da
globalização sobre as identidades culturais:
- as identidades nacionais estão se desintegrando,
como resultado do crescimento da homogeneização cultural e do “pós-moderno
global”.
- as identidades nacionais e outras identidades
“locais” ou particularistas estão sendo reforçadas pela resistência à globalização.
- As identidades nacionais estão em
declínio, mas novas identidades – híbridas – estão tomando seu lugar.
Compressão
espaço-tempo e identidade
(p.69) Que impacto tem a última fase
da globalização sobre as identidades nacionais?
“compressão espaço-tempo” – se sente
que o mundo é menor e as distâncias mais curtas, que os eventos em um
determinado lugar têm um impacto imediato sobre pessoas e lugares situados a
uma grande distância.
O impacto da globalização sobre a
identidade é que o tempo e o espaço são também as coordenadas básicas de todos
os sistemas de representação.
Escrita, pintura, desenho, fotografia, simbolização através da arte ou dos
sistemas de telecomunicação
Em
direção ao pós-moderno global?
(p.73) Alguns teóricos argumentaram que
o efeito geral desses processos globais tem sido o de enfraquecer ou solapar
formas nacionais de identidade cultural.
[...] as identidades locais, regionais
e comunitárias têm se tornado mais importantes.
(p.73) Alguns teóricos culturais argumentam
que a tendência em direção a uma maior interdependência global está levando ao
colapso de toda as identidades culturais fortes e está produzindo aquela
fragmentação de códigos cultuais, aquela multiplicidade de estilos [...].
(p.74) Os fluxos culturais, entre as
nações e o consumismo global criam possibilidade de “identidades partilhadas”
como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços,
“públicos” para as mesmas mensagens e imagens...
(p.75) Quanto mais a vida social se
torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens
internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação
globalmente interligadas, mas as identidades se tornam
desvinculadas-desalojadas-de tempos, lugares, histórias e tradições específicos
e parecem “flutuar livremente”.
(p.76) “homogeneização cultural”.
(p.76) [...] o que está sendo
discutido é a tensão entre o “global” e o “local” na transformação das
identidades.
5. O Global, o local e o
retorno da etnia
(p.77) As identidades nacionais estão
sendo “homogeneizadas”?
1ª[...] ao lado da tendência em
direção à homogeneização global, há também uma fascinação com a diferença e com
a mercantilização da etnia e da “alteridade”. Há, juntamente com o impacto do
“global”, um novo interesse pelo “local”.
[...] explora a diferenciação local.
(p.78) 2ª [...] a globalização é muito
desigualmente distribuída ao redor do globo, entre regiões e entre diferentes
estratos da população dentro das regiões.
3ª ponto crítico da homogeneização
cultural é a questão de se saber o que é mais afetado por ela. Uma relação
desigual de poder cultural entre “o Ocidente” e “o Resto”.
The Reste in the West (O
Resto no Ocidente)
(p.80) Três possíveis
consequências da globalização.
a) globalização caminha em paralelo
com um reforçamento das identidades locais, embora isso ainda esteja dentro da
lógica da compressão espaço-tempo.
b) A globalização é um processo
desigual e tem sua própria “geometria de poder”
C) A globalização retém alguns
aspectos da dominação global ocidental, mas as identidades culturais estão, em
toda parte, sendo relativizadas pelo impacto da compressão espaço-tempo.
O fenômeno Migração – impulsionadas
pela pobreza, pela seca, pela fome, pelo subdesenvolvimento econômico
(p.83) A formação de “enclaves”
étnicos minoritários no interior dos estados-nação do Ocidente levou a uma
“pluralização” de culturas nacionais e de identidades nacionais.
A dialética das
identidades
(p.83) Como esta situação tem se
mostrado na Grã-Bretanha, em termos de identidade?
(p.84) A categoria da identidade não
é, ela própria, problemática?
(p.84) É possível, de algum modo, em
tempos globais, ter-se um sentimento de identidade coerente e integral?
(p.85) “O fortalecimento de
identidades locais pode ser visto na forte reação defensiva daqueles membros
dos grupos étnicos dominantes que se sentem ameaçados pela presença de outras cultural.
(p.89) A palavra “tradução” significa
“transferir” – são homens traduzidos – eles são produtos das novas diásporas criadas pelas migrações
pós-coloniais.
6. Fundamentalismo
diáspora e hibridismo. (p.91)
Movimento contraditório entre Tradição
e Tradução
(p.97) [...] a globalização pode
acabar sendo parte daquele lento e desigual, mas continuado, descentramento do
ocidente.
Referência: HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tadeu da Silva. Guaracira Lopes Louro. 11. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
Referência: HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tadeu da Silva. Guaracira Lopes Louro. 11. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Museus e identidades na modernidade
No dia 26/09 a aula de Museologia no Mundo Contemporâneo, ocorreu no Museu Julio de Castilhos, que está localizado no centro histórico da cidade de Porto Alegre (RS), durante a 7ª Primavera dos Museus: Museus, Memória e Cultura Afro-Brasileira. Os palestrantes convidados para a fala neste dia foram o Prof. Dr. Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Júnior e Me. Pedro Rubens Vargas.
O professor Iosvaldyr apresentou sua tese de “Moçambique de Osório Entre a devoção e o espetáculo: não se cala na batida do tambor e da Maçaquaia”, defendida em 2006 pelo Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Através de sua tese Iosvaldyr Carvalho, trouxe as problematizações que foi realizar esta pesquisa, do ponto de vista antropológico sobre a cultura negra.
| Prof. Dr. Iosvaldyr Carvalho |
O Mestre Pedro Vargas apresentou uma exposição virtual
“O óbvio ainda pode surpreender”, que fala sobre artistas negros e suas obras
que encontram-se no acervo da Pinacoteca Ruben Berta e Aldo Locatelli. Para conhecer mais sobre a exposição: http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/smc/usu_doc/invisivel_presenca.pdf
O dois palestrantes também abordaram questões
sobre o Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre.
Uma das questões colocadas foi sobre a gestão deste Museu, que poderia acontecer através
de um grupo gestor da comunidade negra, o qual poderia estar apoiado pelas políticas públicas da
cidade. Dessa forma estaria integrada a prefeitura de Porto Alegre, afinal este museu foi
realizado para a cidade de Porto Alegre.
Outro ponto em discussão abordado foi sobre as exposições relacionadas à cultura negra, que para os palestrantes deveriam ser tratadas com o olhar e a expectativa do próprio negro, com novos elementos, para deixar de ser abordado a invisibilidade do negro e a pedagogia das ausências. Algumas mudanças já estão acontecendo em nossa sociedade, o que podemos perceber através do próprio tema proposto pela, 7ª Primavera dos Museus deste ano, Museus, Memória e Cultura Afro-Brasileira.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Museu e Identidades na Contemporaneidade
No dia 19 de setembro, a aula de Museologia no Mundo Contemporâneo, ministrada
pela professora Drª Zita Possamai foi realizada no Acampamento Farroupilha durante
a visita ao Piquete Herança de Tropeiro para conhecermos o Museu do Tropeiro
Gaúcho, o museu foi organizado por estudantes do Curso de Museologia (UFRGS).
Algumas problematizações sobre identidade
e museu, foram realizadas durante a visita, abaixo algumas problematizações
abordadas.
Qual o papel do museu quando não
existe uma identificação do público visitante com o tema exposto?
Outra questão é: como o museu
pode problematizar e como trabalhar aspectos da cultura?
Para que serve o mito? Seria para
reforçar uma identidade, de uma elite, sugere segurança ou igualdade aparente.
Antes de continuarmos a discussão
sobre o tema identidade, a professora Zita nos apresentou alguns aspectos
históricos sobre a figura histórica do tropeiro e como a questão do mito sobre
o gaúcho foi construída, falando sobre a fundação em 1948 do CTG 35 (Centro de
Tradições Gaúchas), por Paixão Cortes, Barbosa Lessa e Antônio Augusto
Fagundes.
Para prosseguirmos as questões
levantadas tivemos como base, o texto de Luis Augusto Farinatti: “Os gaúchos e
os outros”. Este autor apresenta algumas críticas em relação à figura mítica do
gaúcho e como esse sentimento regionalista acaba sendo difundido e propagando
sucesso social em sua identificação.
Para terminar é preciso refletir,
qual é o papel do museu diante de um mito?
Não é necessário assumirmos uma
posição, mas entender a construção do mito e conhecermos outras versões, para
não reproduzirmos apenas uma representação do passado.
Referência: FARINATTI, Luís Augusto. Os gaúchos e os outros. Jornal Sul 21.
21/09/2011.
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